5 motivos para ensinar português como língua de herança

Se você está lendo este artigo, você provavelmente é uma mamãe ou papai que resolveu passar o português como herança para seus filhos nascidos no exterior. E, se for o caso, parabéns! Criar filhos bilíngues é uma decisão muito sábia.

Porém, vamos ser sinceros e um pouco politicamente incorretos: vale a pena mesmo passar adiante o português? Afinal, o inglês, o espanhol, o francês, ou até mesmo o mandarim não seriam idiomas mais importantes para o sucesso da sua prole? Você provavelmente já leu vários artigos explicando as vantagens do bilinguismo em geral, mas quais seriam os benefícios de ensinar especificamente a língua de Camões?

Se você alguma vez se perguntou uma das questões acima, continue lendo. Este texto é especialmente para as mamães e papais que se esforçam todos os dias para manter o português vivo na vida de seus filhos. Veja abaixo cinco motivos para lembrar por que vale a pena ensinar português como língua de herança:

1) Família:

O principal motivo para ensinar uma língua de herança, seja lá qual ela for, é para manter os laços da criança nascida no exterior com os parentes no país de origem da mãe ou do pai. Sem o aprendizado da língua de herança, a conexão com avós, tios e primos pode ser muito prejudicada. O relacionamento com a família é importante para a formação da identidade da criança, não importa onde ela decida morar no futuro ou quais línguas ela usará com mais frequência.

2) Cultura:

Uma língua é mais do que vocabulário e gramática. Língua é cultura. O conhecimento do português trará a seus filhos toda a rica cultura do Brasil e de Portugal, incluindo a literatura e a música. Se a música brasileira não for um bom motivo para aprender português, não sei qual seria! Muitos músicos estrangeiros estudam português só para poder aprofundar seus conhecimentos sobre nossa música.

3) Facilidade para aprender outras línguas:

Graças aos romanos, que conquistaram toda a Europa, falantes de línguas latinas como o português têm facilidade para aprender inúmeros outros idiomas. Sabendo português fica muito mais fácil aprender o espanhol, o italiano, ou o francês.

4) Ajuda na escola:

A maior parte das palavras acadêmicas em inglês, incluindo muitas “SAT words”, têm origem latina. O latim é também a língua das palavras científicas no mundo todo. Por conhecer o português, seu filho terá mais facilidade para entender as aulas de ciências e até mesmo as de literatura inglesa.

5) Muita gente fala português:

O português pode não ter o status do inglês ou do espanhol, mas é a sétima língua mais falada do mundo. Em 2012, havia 250 milhões de falantes de português no mundo. O português é uma língua realmente globalizada: há países com português como língua oficial em cinco continentes.

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Silvia is a Brazilian journalist, teacher, and mom. She grew up in Canada as a bilingual child, speaking only Portuguese at home and English everywhere else. Throughout her adult life, she has lived, studied and worked in both Brazil and Canada. Silvia thinks that bilingualism has opened so many doors for her and she wants the same for her children.

Português para filhos nascidos e criados fora do Brasil

filhos nascidos e criados fora do Brasil

Vivendo em um mundo tão globalizado e interligado o bilinguismo já não é uma opção e sim uma necessidade da atualidade. Porque não oferecer essa vantagem aos seus filhos desde o nascimento?!

Qual a importância em transmitir o idioma nativo dos pais para os filhos?

Existem muitos motivos para os pais incentivarem o bilinguismo em seus lares. O bilinguismo tem um impacto profundo e estrutural no desenvolvimento do cérebro infantil, especialmente na primeira infância. Esse impacto é muito positivo em geral:

  • Estudos mostram que o cérebro bilíngue tem mais facilidade na realização de tarefas simultâneas (conflituosas). 1*
  • Crianças multiculturais se beneficiam tanto socialmente quanto individualmente, por saberem se comunicar em mais de um idioma;
  • Psicologicamente, crianças que aprendem os idiomas nativos da mãe e do pai se sentem mais ligadas às suas origens.

A língua materna é a primeira língua aprendida pelo bebê e geralmente é aquela correspondente a cultura com a qual o indivíduo vai se identificar. (Um bilíngue simultâneo possui duas línguas maternas.)

Como ensinar o português para os filhos desde o nascimento?

Os bebês aprendem linguagem involuntariamente e por exposição. O cérebro humano é formado de uma tal forma que busca sentido e significado em tudo, ele é feito para a linguagem. Na verdade o bebê não aprende a linguagem ele é apreendido pela linguagem.

Se você mora no exterior e deseja criar seus filhos bilíngues, falar com eles em português desde o nascimento é a opção mais fácil para pais e filhos. Abaixo, algumas dicas de como alcançar este objetivo:

1) Mãe e pai devem conversar sobre esta decisão e definir um método de ensino que funcione para a situação familiar: a) Se a mãe é brasileira e o pai é de outra nacionalidade ou vice-versa, o melhor método é aquele no qual a mãe se comunica com a criança exclusivamente na língua nativa dela e o pai na língua nativa dele. Este método é conhecido como OPOL – One person, one language. b) Se a mãe e o pai são brasileiros, o melhor método é o de falar português em casa e o idioma do país onde vivem fora de casa. Este método é conhecido como MLAH – Minority Language At Home. Ambos métodos tendem a proporcionar uma exposição balanceada aos dois idiomas. Assim o bebê aprende as duas línguas simultaneamente.

2) Comunique aos familiares, amigos íntimos, pediatra e futuramente professores, sobre a sua decisão de criar seus filhos bilíngues e os informe sobre o seu método usado. Este comunicado é muito importante. Pode evitar situações desagradáveis e indesejadas quando os familiares te ouvirem falar em português com seu filho em público ou em reuniões de família. Dar esta informação para as pessoas que farão parte da sua vida e da vida do seu filho faz uma diferença imensa e te ajuda e se engajar na causa porque agora todos sabem dos seus objetivos. Quando as pessoas sabem e entendem o que você está fazendo, fica mais fácil conseguir o apoio e suporte delas. Com o apoio de todos, você se sentirá forte e certo da sua escolha. Além de criar uma situação onde você não vai se sentir rude por estar falando com seu filho(a) em outro idioma.

3) É importante que os pais se comuniquem com seus bebês e se relacionem com eles na língua que for mais natural para esses pais. Assim terão condições de oferecer aos filhos acesso irrestrito ao seu idioma e cultura. Caso português seja sua língua materna mas não a mais fluente, você pode trabalhar em melhorar a sua fluência em português e beneficiar, não apenas o cérebro do seu filho, como o seu também.

4) Exponha seus filhos ao português diariamente e consistentemente! Fale, cante, leia e se expresse em todos os sentidos em português para seus filhos desde o nascimento. Tente ao máximo não misturar os idiomas e seja consistente com o método de ensino escolhido. A exposição ao português e a consistência desta exposição são a chave para o sucesso em qualquer método.

Como fonoaudióloga as dúvidas que mais escuto a esse respeito são se o bilinguismo pode gerar atraso ou confusão na cabeça das crianças e a resposta é simples:

Os estudo mostram que o bilinguismo não justifica um atraso na fala, mas crianças bilíngues ou monolíngues podem ter atraso na fala devido a outros fatores.

Eu sou super adepta do bilinguismo e consigo ver todos os dias os benefícios dele; e também a luta que é manter uma língua de herança para filhos nascidos no exterior.

Como ensinar o português para os filhos em idade escolar?

Se o seu filho fala apenas o idioma do país onde ele nasceu e vive não se preocupe, ainda está em tempo dele aprender! Uma abordagem positiva no uso e incentivo do idioma é importante, assim como a consistência, e o contexto.

A criança que já está em idade escolar, ou seja, a partir da segunda infância, tem plenas condições de de aprender um outro idioma. No entanto, ela será um bilíngue sequencial e não um simultâneo. Sendo assim, a segunda língua não será posicionada como materna no cérebro.

Existem vários níveis de fluência nas línguas e o nível de fluência tem relação com: a necessidade do idioma, a exposição ao idioma, o uso propriamente dito do idioma, o status da língua na região em que o sujeito vive, e a relação que esse sujeito tem com esse idioma e cultura.

Abaixo vão algumas dicas de como inserir e incentivar a aprendizagem do português na idade escolar, ou segunda infância:

1) Descubra o que o seu filho gosta ou poderia gostar na cultura brasileira: Músicas, artistas, séries, livros, cordel, gibi, folclore, etc. podem te ajudar a saber por onde começar a conquistar a atenção e interesse do seu filho em aprender português.

2) Procure brasileiros perto de onde você mora e forme ou participe de grupos que possam trazer contextualização e enriquecimento social a essa aprendizagem. Afinal ninguém aprende uma nova língua para falar com as paredes ou com o espelho (risos).

3) Coloque seu filho(a) em situações onde seja necessário que ele tente falar e/ou entender o português para se comunicar. Por exemplo: uma babá que fale apenas português; uma visita prolongada de algum familiar querido que se comunique apenas português; férias no Brasil com a vovó, tios e primos; colônia de férias no Brasil com outras crianças. Estas são situações onde a criança tem um enorme estímulo para tentar se comunicar. Tais circunstâncias, reúnem questões afetivas e sociais, e são ricas em contextualização e intensidade.

4) Matricule seu filho em alguma escola de português ou arrange aulas particulares com professores ou tutores de português, nem que seja pelo Skype, por exemplo. Claro que, não adianta forçar seu filho a estudar português, esta opção só funciona se ele tiver interesse em aprender.

De toda a herança que deixaremos para nossos filhos poucas coisas trarão consigo tanta conexão e autoconhecimento quanto uma língua de herança.

Knowledge is power, but enthusiasm pulls the switch

Referências: 1* https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3322418/

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Juliana Trentini, mãe e fonoaudióloga, tem um canal no YouTube, Fala Fono, onde apresenta uma série de vídeos respondendo a dúvidas e dando dicas sobre o bilinguismo. Sua missão é ajudar pais e cuidadores a entender e potencializar o desenvolvimento dos filhos através da melhora na comunicação.

5 dicas essenciais para que seus filhos (nascidos e criados no exterior) falem português fluentemente

Muitos brasileiros criando filhos no exterior se perguntam: O que fazer para que meus filhos falem português fluentemente? Pois eis aqui 5 dicas essenciais para mães e pais que querem que seus filhos se interessem, aprendam e falem o português:

1) Eduque-se sobre o bilinguismo

Estudos científicos realizados em grandes universidades americanas, canadenses e europeias, comprovam que o bilinguismo acelera o desenvolvimento do cérebro. Estes estudos mostram que crianças bilíngues tendem a ter um melhor desempenho do que as crianças monolíngues no que diz respeito a atenção e ao controle cognitivo.

Além disso, os filhos de brasileiros no exterior que falam português podem se comunicar com os avós, tios e primos que moram no Brasil. Eles também terão mais facilidade e interesse em aprender outras línguas. Quando adultos, terão melhores oportunidades de emprego, em vários campos de trabalho, e também em outros países.

Existem muitos livros e vários blogs mundo afora que se dedicam a informar mães e pais sobre a criação de filhos bilíngues. Basta perguntar ao Senhor Google no idioma da sua preferência e Ele te dará a resposta. Abaixo vai uma lista de blogs que considero muito informativos:

Multicultural Kid Blogs: multiculturalkidsblogs.com/

Bilingual Kidspot: bilingualkidspot.com/

Multilingual Parenting: multilingualparenting.com/

ABC Multicultural Blog: abcmulticultural.com/blog/

Os três primeiros da lista são blogs com posts em inglês apenas. O último é o blog da ABC Multicultural, e esse tem posts em inglês e português também, como esse post que você está lendo agora. Caso ainda não conheça, a ABC Multicultural é uma pequena editora americana que publica e vende livros infantis em idiomas estrangeiros, incluindo português. A editora é uma “startup” fundada por mim em 2013, dois anos depois do nascimento da minha primeira filha.

A empresa se concretizou pela minha necessidade de adquirir livros infantis em português. Livros de qualidade, que fossem feitos especialmente para crianças aprendendo o português como língua de herança ou segunda língua. Como não encontrei estes livros para comprar aqui nos Estados Unidos, comecei a criá-los para minhas filhas e todos os outros filhos de brasileiros aqui também. Recentemente, lançamos um projeto de parceria de publicação que trará novos livros e novos autores para a ABC Multicultural. Você já pensou em escrever livros infantis? Eu também nunca havia pensado a respeito até escrever o primeiro… e, depois, outros vieram. Agora, estou escrevendo mais três livros, além de estar trabalhando na criação e publicação dos livros de outros novos autores parceiros.

Bom, agora que já fiz minha propaganda, porque gostaria que você conhecesse um pouco mais sobre essa iniciativa, vamos continuar com as dicas… Essas dicas garantiram o sucesso (até o momento) com minhas duas filhas de quase 3 e quase 6 anos de idade (as fofurinhas acima comigo na foto desse post). Ambas são bilíngues e, portanto, fluentes em português e inglês. A segunda dica abaixo é quando tudo começa. Mas, se você já perdeu a oportunidade de começar por aí, comece agora mesmo! Porque, para tudo na vida: “Antes tarde do que nunca!”

2) Comece sua jornada durante a gravidez

É isto mesmo! O quanto mais cedo você introduzir um segundo ou terceiro idioma a uma criança, melhores resultados você obterá. Então, comece a falar com seu baby em português quando ele ainda estiver dentro da sua barriga. Depois que o baby nascer, solte os verbos, os adjetivos, os pronomes, os provérbios, os advérbios e tudo que tem direito! E, não pare mais… Cuide, ensine, repreenda, demonstre seu amor e carinho na sua língua nativa. Língua na qual você, provavelmente, terá habilidade de pronunciar e falar com maior perfeição.

É um erro achar que a criança deve primeiro aprender a língua do país onde vive para depois aprender outra língua. A fonoaudióloga brasileira e experiente em bilinguismo, Juliana Trentini, explica que:

Todas as capacidades necessárias para uma criança aprender uma língua, qualificam ela para aprender duas ou até mais línguas ao mesmo tempo.

Assista ao vídeo abaixo pra saber mais detalhes e ter respostas profissionais a perguntas comuns como: “Meu filho ficará confuso?” ou “Meu filho ficará atrasado na fala?”, entre outras…

3) Seja consistente em falar o português

Consistência é tudo! E depende muito mais dos pais do que dos filhos. Crianças se adaptam ao ambiente no qual estão sendo criadas. Tenha como um exemplo, uma criança nascida e criada nos Estados Unidos, filha de mãe brasileira e pai americano:

a) Se a mãe fala apenas português com a criança, ela associa o português à figura da mãe. Consequentemente, ela aprende a se comunicar com a mãe somente em português porque esta foi a única opção dada.

b) Se a mãe fala português e inglês com a criança, ela associa os dois idiomas à figura da mãe. Consequentemente, a criança escolhe responder e conversar com a mãe em inglês, língua de maior exposição e também a língua do pai.

A regra, nesse caso, em que a mãe é brasileira e o pai é americano, e vice-versa é simples: Se você quer que seus filhos falem português, você deve se acostumar a falar com eles somente em português. Exceções podem ser feitas? Sim, claro! Mas mantenha suas exceções ao mínimo possível.

4) Planeje o tempo de exposição à língua portuguesa

Quanto tempo por dia sua criança passa se comunicando em português? Esta é a pergunta que você deve se fazer caso sua criança insista em te responder apenas em inglês ou recuse a falar o português, apesar da sua insistência. Se este for o caso, não se culpe! O provável é que o seu filho ou filha não esteja tendo tempo suficiente de exposição à língua portuguesa.

Para que a criança desenvolva o interesse necessário para entender, aprender, praticar e falar um idioma, ela precisa ser exposta a este idioma com certa frequência e consistência. Esta exposição deve ser balanceada com a exposição à língua do país onde a criança mora. Caso contrário, ela vai dar preferência ao idioma nativo e demonstrar falta de interesse pelo português que, no caso, é o idioma nativo da mãe e a língua de herança da criança.

A solução aqui é planejar e fazer o que for possível e melhor para você e sua família. Se a mamãe brasileira tiver o privilégio de ser uma mãe tempo integral, isto é mais do que o suficiente para que sua criança obtenha um bom tempo de exposição à lingua portuguesa, supondo que, a mãe se comunique consistentemente em português com o filho ou filha. Se a mamãe trabalha fora de casa a maior parte do tempo (meu caso) é preciso aumentar esta exposição à língua portuguesa de outras formas, como: tendo uma babá brasileira, colocando o filho em uma escolinha ou creche brasileira, ou tendo a ajuda da vovó e outros familiares e amigos brasileiros, fazendo playdates com outras crianças brasileiras etc.

Além disto, é também preciso gerar incentivo e interesse na criança para que ela queira falar português. Minhas dicas neste sentido são: livros infantis em português, vídeos infantis em português, programas de TV educativos para crianças em português, muitos skypes com os parentes no Brasil e viagens ao Brasil sempre que possível.

5) Crie o hábito de falar em português com seus filhos

Toda criança nasce com a habilidade de aprender dois ou três idiomas ao mesmo tempo. Isto se aplica inclusive para crianças autistas. O fato da criança aprender ou não o idioma do país de origem dos pais, somente tem a ver com o verdadeiro querer e o nível de esclarecimento dos pais.

Quando você mora no exterior, muitas vezes, você se acostuma a falar outro idioma com mais frequência do que o seu próprio idioma. Então, é necessário desenvolver um condicionamento para que você se reacostume a falar na sua língua materna novamente e faça um compromisso pessoal.

Doze anos depois de me mudar para os Estados Unidos, minha primeira filha nasceu, e eu me vi nesta situação de “desacostume” com a minha própria língua. Naquela época, grande parte da minha vida e do meu dia a dia estavam envolvidos ao redor do inglês e não do português. Fui pra faculdade aqui, me casei com americano, no ambiente de trabalho todos falam inglês etc. Eu passava semanas sem falar sequer uma frase em português. Pensamentos e sonhos eram, quase sempre, somente em inglês.

Tive que criar o hábito de falar na minha língua materna novamente. Eu já me sentia mais confortável me comunicando em inglês do que em português, apesar do meu sotaque não negar a minha origem. O sotaque de estrangeira era algo que no início me incomodava, devo confessar, por causa da minha mania de perfeição. Mas hoje, aos meus 41 anos de idade, apenas o vejo como parte da minha identidade e da minha história. Jamais quero apagá-lo da minha existência. O meu sotaque é simplesmente parte de mim e parte de quem sou. Eu sou feliz de ser quem sou.

Este foi o meu maior segredo para o sucesso em criar crianças bilíngues: Criei o hábito de falar somente em português com minhas filhas e assim tem sido desde que nasceram. Abro exceções sim, mas poucas. Se o meu marido fosse também brasileiro, certamente falaria português em casa e inglês fora de casa, mas como o meu marido é americano, eu me restrinjo a falar apenas português com elas. Sei que, à medida que crescerem, será natural que desenvolvam a preferência pelo inglês. Por isto, continuarei falando com elas em português. Estou ciente de que isto depende mais do meu empenho de mãe do que do empenho delas – de filhas.

Nunca desista de passar a sua língua de origem ao seus filhos. Se você é brasileira(o), os seus filhos também são brasileiros, independentemente de onde nasceram ou moram. Não tire dos seus filhos o presente de poder falar o idioma do país o qual, também, os pertencem e fará, para sempre, parte da história deles. Não é uma questão de patriotismo, é uma questão de identidade. E, acima de tudo, é um ato de demonstração do seu conhecimento sobre os benefícios em criar filhos bilíngues.

— the end —

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Born in Brazil, Ana Cristina moved to the United States in 1999. Following the birth of her first daughter in 2011, she realized how important it was that she pass on her native language and culture to her children. As a result, she decided to create her own line of books and founded ABC Multicultural (former Little Gringo) in 2013.

Criar uma criança bilíngue requer coragem, porque o mundo vai testar a nossa convicção sem piedade nem trégua

toddler covering his eyes: Criar uma criança bilingue requer coragem, porque o mundo vai testar a nossa convicção sem piedade nem trégua

Criar uma criança bilíngue requer coragem, porque o mundo vai testar a nossa convicção sem piedade nem trégua. Há muitos mitos que são constantemente atirados aos pais, sem restrições e ditos com a maior certeza, que só servem para criar dúvidas onde elas não existem. Os pais precisam de ter presente o conhecimento e a firmeza das evidências para se manterem firmes no propósito de educar filhos bilingues quando, por exemplo, todas as outras crianças da mesma idade no jardim-de-infância já falam, muitas usam frases completas e comunicam-se muito bem com os pais e professores, enquanto que os seus filhos ainda só dizem palavras. É preciso toda a convicção para resistir à perceção de que uma decisão nossa faz os nossos filhos “ficarem para trás” ou parecerem ter um desenvolvimento de capacidades verbais “lento ou atrasado” em relação aos outros. A realidade é que estas crianças estão no processo de aprender dois sistemas linguísticos ao mesmo tempo e, apesar de começarem a falar mais tarde, rapidamente ultrapassam os monolíngues e expressam-se melhor, tanto numa língua quanto na outra, do que os monolíngues na sua língua solitária.

As comunidades portuguesa e brasileira passam pelas mesmas questões de integração e assimilação que outras comunidades nas mesmas circunstâncias neste país, e que as levam tantas vezes a não cultivar em casa as línguas de herança, com medo de prejudicar essa bendita integração. Os pais assustados com o bombardeio de questionamentos sobre a sua decisão, têm que desconstruir internamente estes “problemas” que muitos antecipam e manter o rumo e a certeza, até porque, isto do “a sua filha ainda não fala!?” é só uma das muitas coisas que vão ouvir. É preciso ter calma e respeitar a falta de informação e formação específica, mesmo de pessoas que nem conhecemos, porque as que conhecemos e amamos vão desafiar-nos constantemente, e com a melhor das intenções. Toda a gente acha que é um perito em relação a estas questões da língua; toda a gente acha que é a coisa mais simples do mundo, mas os pais de crianças bilingues têm que ter a consciência de que possuem um domínio sobre este assunto que não é do conhecimento geral, e que é em muitos aspectos contraintuitivo. Assim, é preciso ter a generosidade de compartilhar o que descobrimos nas nossas leituras e pesquisas, e fazê-lo com a mesma tranquilidade, seja a primeira ou a milésima vez que estejamos a responder à questão. Estas são algumas das coisas que ouço com mais frequência, que agora já me fazem sorrir, e a forma como costumo responder:

— as crianças que falam outra língua em casa desenvolvem a fluência em inglês mais devagar.

Até a minha mãe, a avó, se mostrou muito preocupada com esta questão. Na realidade, todos os estudos mostram que as crianças monolíngues e bilíngues desenvolvem fluências à mesma velocidade depois de começarem a falar. Mostram ainda que elas desenvolvem a sua capacidade de expressão independentemente da língua que estão a falar, ou seja, mesmo que os pais falem a língua de herança em casa, estão efetivamente a ajudar os filhos a expressarem-se melhor em inglês—o importante é falar e não a língua em que se fala.

— para as crianças aprenderem inglês bem, devem estar num ambiente de imersão total em inglês.

A primeira pessoa que me expressou esta ideia foi uma amiga bibliotecária, uma pessoa por quem tenho uma grande amizade, mas esta ideia é um mito. As pesquisas mostram que os alunos que participam de programas bilíngues têm performances superiores a inglês do que os alunos em escolas monolíngues. Mais, e talvez tão importante como, também têm performances superiores a matemática, biologia, física e química, porque trabalhar nas duas línguas desenvolve o raciocínio e a lógica.

— ensinar inglês exclusivamente leva a graus mais elevados de assimilação, e a integração garante maior sucesso econômico.

Quem me “informou” desta mentira pela primeira vez, foi um educador, grande defensor do “English only” nos Estados Unidos. Bom, primeiro, sabemos hoje que as crianças que aprendem a língua de herança são mais autoconfiantes e motivadas através da valorização da sua cultura. Além disso, as pesquisas mostram também que os estudantes em programas bilíngues abandonam menos e terminam em percentagens mais altas o ensino secundário—e as comunidades portuguesas na América do Norte bem que precisam urgentemente de uma estratégia que promova a formação secundária e universitária e combata o insucesso e abandono escolar. Segundo, o “English only” é um movimento bom só para o povão mesmo porque, para a elite norte-americana, não existe uma instituição educativa de prestígio neste país que não tenha um requisito de língua estrangeira. Porque será?

— não é preciso ensinar os falantes de herança a ler e escrever, falar a língua em casa chega.

Quem primeiro me disse isto foi uma mãe de uma criança bilíngue que ensinei na Escola Internacional das Nações Unidas. Irônico. Hoje vivemos numa economia global, cada vez mais integrada, em que tudo é negociado em tempo real, e em que conseguir falar, escutar, ler e escrever em duas línguas é um trunfo profissional. Preparar as nossas crianças para esta realidade aumenta-lhes tremendamente as oportunidades. Ainda há pouco tempo estive em contacto com um cidadão norte-americano que trabalhou durante 20 anos no Brasil, mas que acabou sempre por não conseguir avançar nos seus empregos por causa dos erros que fazia ao escrever português. O mesmo é válido nas empresas norte-americanas que contratam falantes de português para tratarem dos seus negócios. Quem não sabe ler e escrever nas duas línguas acaba por ser passado por quem sabe.

Finalmente, os pais de crianças bilíngues não podem ter vergonha da sua língua e da sua cultura. A primeira vez que tive que falar em português com a minha filha em frente dos meus sogros, senti-me muito desconfortável. Pensei que eles se iam sentir de fora e passei para o inglês. Mas, imediatamente, tive que me segurar às minhas convicções sobre a educação bilíngue dela e passar para segundo plano o desconforto que eles ou eu pudéssemos sentir. O que estou a fazer é maior que isso. Também, se os pais têm vergonha de falar português em público, ou de serem portugueses ou brasileiros em público, então que não se venham lamentar que os filhos não falam ou têm vergonha de falar português, e que não assumem a sua herança cultural. É causa e efeito. Força aí para todos os pais! Isto não é fácil.

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Presidente da American Organization of Teachers of Portuguese, Luis é Pesquisador e Professor de Português na Princeton University. Tem doutoramento em Línguas Românicas – Português (2009), com especialização em Estudos da Comunicação e certificação em Estudos Culturais pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA.