Português para filhos nascidos e criados fora do Brasil

filhos nascidos e criados fora do Brasil

Vivendo em um mundo tão globalizado e interligado o bilinguismo já não é uma opção e sim uma necessidade da atualidade. Porque não oferecer essa vantagem aos seus filhos desde o nascimento?!

Qual a importância em transmitir o idioma nativo dos pais para os filhos?

Existem muitos motivos para os pais incentivarem o bilinguismo em seus lares. O bilinguismo tem um impacto profundo e estrutural no desenvolvimento do cérebro infantil, especialmente na primeira infância. Esse impacto é muito positivo em geral:

  • Estudos mostram que o cérebro bilíngue tem mais facilidade na realização de tarefas simultâneas (conflituosas). 1*
  • Crianças multiculturais se beneficiam tanto socialmente quanto individualmente, por saberem se comunicar em mais de um idioma;
  • Psicologicamente, crianças que aprendem os idiomas nativos da mãe e do pai se sentem mais ligadas às suas origens.

A língua materna é a primeira língua aprendida pelo bebê e geralmente é aquela correspondente a cultura com a qual o indivíduo vai se identificar. (Um bilíngue simultâneo possui duas línguas maternas.)

Como ensinar o português para os filhos desde o nascimento?

Os bebês aprendem linguagem involuntariamente e por exposição. O cérebro humano é formado de uma tal forma que busca sentido e significado em tudo, ele é feito para a linguagem. Na verdade o bebê não aprende a linguagem ele é apreendido pela linguagem.

Se você mora no exterior e deseja criar seus filhos bilíngues, falar com eles em português desde o nascimento é a opção mais fácil para pais e filhos. Abaixo, algumas dicas de como alcançar este objetivo:

1) Mãe e pai devem conversar sobre esta decisão e definir um método de ensino que funcione para a situação familiar: a) Se a mãe é brasileira e o pai é de outra nacionalidade ou vice-versa, o melhor método é aquele no qual a mãe se comunica com a criança exclusivamente na língua nativa dela e o pai na língua nativa dele. Este método é conhecido como OPOL – One person, one language. b) Se a mãe e o pai são brasileiros, o melhor método é o de falar português em casa e o idioma do país onde vivem fora de casa. Este método é conhecido como MLAH – Minority Language At Home. Ambos métodos tendem a proporcionar uma exposição balanceada aos dois idiomas. Assim o bebê aprende as duas línguas simultaneamente.

2) Comunique aos familiares, amigos íntimos, pediatra e futuramente professores, sobre a sua decisão de criar seus filhos bilíngues e os informe sobre o seu método usado. Este comunicado é muito importante. Pode evitar situações desagradáveis e indesejadas quando os familiares te ouvirem falar em português com seu filho em público ou em reuniões de família. Dar esta informação para as pessoas que farão parte da sua vida e da vida do seu filho faz uma diferença imensa e te ajuda e se engajar na causa porque agora todos sabem dos seus objetivos. Quando as pessoas sabem e entendem o que você está fazendo, fica mais fácil conseguir o apoio e suporte delas. Com o apoio de todos, você se sentirá forte e certo da sua escolha. Além de criar uma situação onde você não vai se sentir rude por estar falando com seu filho(a) em outro idioma.

3) É importante que os pais se comuniquem com seus bebês e se relacionem com eles na língua que for mais natural para esses pais. Assim terão condições de oferecer aos filhos acesso irrestrito ao seu idioma e cultura. Caso português seja sua língua materna mas não a mais fluente, você pode trabalhar em melhorar a sua fluência em português e beneficiar, não apenas o cérebro do seu filho, como o seu também.

4) Exponha seus filhos ao português diariamente e consistentemente! Fale, cante, leia e se expresse em todos os sentidos em português para seus filhos desde o nascimento. Tente ao máximo não misturar os idiomas e seja consistente com o método de ensino escolhido. A exposição ao português e a consistência desta exposição são a chave para o sucesso em qualquer método.

Como fonoaudióloga as dúvidas que mais escuto a esse respeito são se o bilinguismo pode gerar atraso ou confusão na cabeça das crianças e a resposta é simples:

Os estudo mostram que o bilinguismo não justifica um atraso na fala, mas crianças bilíngues ou monolíngues podem ter atraso na fala devido a outros fatores.

Eu sou super adepta do bilinguismo e consigo ver todos os dias os benefícios dele; e também a luta que é manter uma língua de herança para filhos nascidos no exterior.

Como ensinar o português para os filhos em idade escolar?

Se o seu filho fala apenas o idioma do país onde ele nasceu e vive não se preocupe, ainda está em tempo dele aprender! Uma abordagem positiva no uso e incentivo do idioma é importante, assim como a consistência, e o contexto.

A criança que já está em idade escolar, ou seja, a partir da segunda infância, tem plenas condições de de aprender um outro idioma. No entanto, ela será um bilíngue sequencial e não um simultâneo. Sendo assim, a segunda língua não será posicionada como materna no cérebro.

Existem vários níveis de fluência nas línguas e o nível de fluência tem relação com: a necessidade do idioma, a exposição ao idioma, o uso propriamente dito do idioma, o status da língua na região em que o sujeito vive, e a relação que esse sujeito tem com esse idioma e cultura.

Abaixo vão algumas dicas de como inserir e incentivar a aprendizagem do português na idade escolar, ou segunda infância:

1) Descubra o que o seu filho gosta ou poderia gostar na cultura brasileira: Músicas, artistas, séries, livros, cordel, gibi, folclore, etc. podem te ajudar a saber por onde começar a conquistar a atenção e interesse do seu filho em aprender português.

2) Procure brasileiros perto de onde você mora e forme ou participe de grupos que possam trazer contextualização e enriquecimento social a essa aprendizagem. Afinal ninguém aprende uma nova língua para falar com as paredes ou com o espelho (risos).

3) Coloque seu filho(a) em situações onde seja necessário que ele tente falar e/ou entender o português para se comunicar. Por exemplo: uma babá que fale apenas português; uma visita prolongada de algum familiar querido que se comunique apenas português; férias no Brasil com a vovó, tios e primos; colônia de férias no Brasil com outras crianças. Estas são situações onde a criança tem um enorme estímulo para tentar se comunicar. Tais circunstâncias, reúnem questões afetivas e sociais, e são ricas em contextualização e intensidade.

4) Matricule seu filho em alguma escola de português ou arrange aulas particulares com professores ou tutores de português, nem que seja pelo Skype, por exemplo. Claro que, não adianta forçar seu filho a estudar português, esta opção só funciona se ele tiver interesse em aprender.

De toda a herança que deixaremos para nossos filhos poucas coisas trarão consigo tanta conexão e autoconhecimento quanto uma língua de herança.

Knowledge is power, but enthusiasm pulls the switch

Referências: 1* https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3322418/

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Juliana Trentini, mãe e fonoaudióloga, tem um canal no YouTube, Fala Fono, onde apresenta uma série de vídeos respondendo a dúvidas e dando dicas sobre o bilinguismo. Sua missão é ajudar pais e cuidadores a entender e potencializar o desenvolvimento dos filhos através da melhora na comunicação.

The great effects of bilingualism on the brain

Benefits of a bilingual brain

Having an easier time traveling, watching movies without subtitles, being able to communicate with people from different cultures and places, having a better curriculum… all of that is well known as advantages of being bilingual. However, recent researchers have found out benefits to the brain that go far beyond that. Scientists have come to the conclusion that the brain of a bilingual or multilingual person actually works and looks different than the brain of a monolingual one. Studies that show the great benefits of being bilingual have changed completely the way bilingualism, especially in childhood, is seen.

Although it is known that all types of bilingual people can become fluent, the time and the way in which the language acquisition is given changes the effect it has on the brain. This is explained by the differences in the brain’s both hemispheres most dominant abilities. It is proved by science that the brain’s left side is more dominant in analytical and logical processes, while the right side of the brain is responsible for the emotional and social behaviors. This lateralization is developed gradually with age, and the language acquisition process requires the use of all of these functions. Putting all of this information together, the Critical Period Hypothesis was developed:

According to this theory, children learn languages more easily because of the plasticity of their developing brains, which lets them use both hemispheres in language acquisition, while in most adults, their language acquisition is lateralized to one hemisphere, usually the left. If this is true, learning a language in childhood may give more of a realistic grasp of its social and emotional contexts. Conversely, recent research showed that people who learned a second language in adulthood exhibit less emotional bias and a more rational approach when confronting problems in their second language than in their native one.

Here’s a summary of what bilingual brains do differently according to the study:

  • They show a higher density of the gray matter that contains most of the brain’s neurons and synapses.
  • They show more activity in certain regions when engaging a second language.
  • The high workout a bilingual brain receives throughout its life can also help delay the onset of diseases like Alzheimer’s and dementia by as much as 5 years.

You can check out more of this information in the video below:

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Renata was born in Belo Horizonte, Brazil. She is an International Relations student at PUC-MG and a Marketing Intern at ABC Multicultural. She studied English for many years and will soon study Italian abroad. So far, bilingualism has opened many doors for her and made many of her professional goals achievable. Renata believes in the benefits of raising bilingual children and preparing them to live in a globalized world.

Como vou conseguir criar filhos bilíngues se meu marido americano não fala português?

parents to be

Recentemente, uma futura mamãe que segue o blog da ABC Multicultural, fez as seguintes perguntas:

Se meu marido é americano, como vou conseguir falar somente português com minha filha quando ela nascer? Quando estivermos junto com ele, vai ser difícil falar com ela numa língua que ele não entende. Como vamos ter momentos de família se eu vou estar falando uma língua e ele outra?

Quando ví estas perguntas nos comentários de um post da fan page da ABC Multicultural tive que responder, pois eu mesma tive todas estas duvidas no passado. Abaixo estão minhas respostas a esta mamãe, que trazem explicações e informações sobre bilinguismo em famílias compostas por duas nacionalidades diferentes:

Oi, futura mamãe! PARABÉNS pela gravidez. Suas perguntas são muito boas e tenho certeza que várias outras mães na sua situação têm as mesmas dúvidas. Eu era uma delas! Meu marido também é americano e monolíngue, e tudo deu certo! Minhas duas filhas (de quase 3 e 6 anos de idade) são bilíngues fluentes e isto é muito gratificante para nós dois. Além desta gratificação de pais corujas, sabemos que o bilinguismo irá beneficiá-las imensamente pelo resto da vida. Agora, vou responder suas perguntas, mas por partes, para esclarecer certas coisas antes:

O que faz uma criança crescer e ser bilíngue?

O que faz uma criança crescer e ser bilíngue é a exposição balanceada as duas línguas e a consistência desta exposição. Ou seja, para que a aquisição do português e do inglês aconteça ao mesmo tempo (e naturalmente) é preciso que a criança escute, fale e interaja nestes dois idiomas diariamente e numa intensidade similar. Esta exposição precisa também ser consistente para que a criança crie uma referência e possa compreender com quem, onde e quando falar português ou inglês.

Quando a mãe e o pai são brasileiros

Quando a mãe e o pai são brasileiros e o português é a língua principal da família, é preciso que sejam introduzidas outras maneiras de expor a criança ao inglês. Neste caso, funciona muito bem a regra de falar português em casa e inglês fora de casa. Este método é conhecido como “Minority Language at Home (ML@H)”. No método ML@H, a referência do bebê/da criança é o ambiente: “dentro de casa = português” e “fora de casa = inglês”.

Quando a mãe é brasileira e o pai é americano (ou vice-versa)

Quando a mãe é brasileira e o pai é americano é mais eficaz que a mãe fale apenas português (em quase toda e qualquer situação) e que o pai fale apenas inglês com o bebê/a criança. Este método é super eficiente quando usado consistentemente e é chamado de “One Person, One Language (OPOL)”. No método OPOL, a referência do bebê/da criança é a pessoa: “mãe = português” e “pai = inglês”.

Independente do método usado pela família (OPOL ou ML@H) é importante que a criança também seja exposta ao português de outras formas:

Em casa: lendo livros infantis em português, assistindo programas infantis no YouTube em português, assistindo TV infantil em português, tendo uma babá brasileira, etc.

Fora de casa: frequentando escola ou classes de português, visitando e interagindo com parentes e amigos brasileiros (pessoalmente, por telefeone ou video), viajando para o Brasil, etc.

Estas outras formas de exposição ao português ajudam e dão suporte ao aprendizado do idioma. Assim como a criança é diariamente exposta ao inglês de outras formas que não seja somente conversando com o pai ou a mãe, ela também precisa ser exposta ao português de outras formas, como as mencionadas acima.

Como conciliar o português e o inglês na minha família sem prejudicar a interação do daddy?

Esta era minha grande duvida quando minha primeira filha nasceu, mas tudo foi acontecendo com naturalidade e foi mais fácil do que eu imaginei. Eu me reacostumei a falar português diariamente e o meu marido se adaptou a me escutar falando em português apenas com nossa filha. Em todo o processo, a única pessoa que precisou se disciplinar foi eu, que já não tinha mais o costume de me comunicar diariamente no meu idioma nativo. O meu processo de adaptação foi fácil porque a minha referência/regra era “bebê = português”. O marido se adaptou com facilidade e a minha filha já nasceu dentro desta situação. Então pra ela, e depois para a segunda filha, não houve nenhum tipo de adaptação, pois elas já nasceram dentro deste ambiente bilíngue. O Português como Língua de Herança (PLH) é um presente maravilhoso que as dei e que você também pode dar aos seus filhos.

Então, desde sempre, os dois idiomas foram as línguas das minhas filhas. Aos 2 aninhos e meio já traduziam palavras e sentenças simples para o pai e já sabiam com quem falar português e com quem falar inglês. Nesta idade, elas já mudavam de um idioma para o outro na maior tranquilidade. Nada disto foi ensinado. Tudo aconteceu com naturalidade por causa da minha consistência em sempre e somente falar português com elas. Existem sim exceções, mas no mínimo possível. Antes mesmo de entender o significado das palavras, a referência linguística das minhas filhas era e sempre será: “mamãe = português” e “daddy = English”.

A mesa de jantar e o tempo em família é uma oportunidade excelente para o bebê/toddler/criança desenvolver a habilidade da tradução e compreensão dos dois idiomas simultaneamente.

Incentive o daddy a perguntar “What are you talking about?” sempre que ele quiser saber o que você estiver falando com sua filha ou o que sua filha estiver falando com você. Ao escutar você traduzindo as palavras, frases, histórias e situações para o seu marido, sua filhinha aprenderá a compreender as diferenças e características linguísticas de cada idioma. E, rapidinho, ela mesma começará a traduzir para o pai o que vocês conversarem. Escutando você traduzir ou traduzindo as conversas ela mesma é a melhor maneira de aprender tradução e compreensão de dois idiomas ao mesmo tempo.

Eu e você, provavelmente, estudamos e aprendemos um segundo idioma quando adultas, nos tornamos bilíngues e falamos inglês com sotaque de estrangeiras. Quando você cria uma criança bilíngue desde o nascimento, a criança não aprende um segundo idioma, ela adquire ao mesmo tempo dois idiomas. É uma aquisição natural e simultânea de dois sistemas de linguagem diferentes um do outro. Para a criança é simples assim! São os pais que precisam se adaptar e ser consistentes no método usado para criar os filhos bilíngues.

Ver sua filha crescer bilíngue irá trazer muitos momentos lindos e de orgulho para você e seu marido. Vocês vão notar, logo cedo, os benefícios que isto trará para ela e para a família de vocês também! Te desejo toda sorte e muita consistência da sua parte nesta jornada incrível.

You can do it!!!

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Born in Brazil, Ana Cristina moved to the United States in 1999. Following the birth of her first daughter in 2011, she realized how important it was that she pass on her native language and culture to her children. As a result, she decided to create her own line of books and founded ABC Multicultural (former Little Gringo) in 2013.